Ao contrário da Estação Espacial Internacional (ISS), que se beneficia da proteção do campo magnético da Terra por estar em órbita baixa, a tripulação da Artemis estará exposta diretamente aos Raios Cósmicos Galácticos (GCR) e a possíveis Eventos de Partículas Solares (SPE).
1. Design da Nave Orion: Blindagem Inteligente e Refúgio de Emergência
A nave Orion, projetada para levar a tripulação ao espaço profundo, emprega uma abordagem combinada de engenharia e reaproveitamento de materiais:
Refúgio Contra Tempestades Solares: No caso de um evento solar crítico (SPE), a tripulação pode se abrigar na parte central da cabine de comando. A NASA configurou o layout interno para que os equipamentos densos, o suprimento de água e os alimentos fiquem armazenados ao redor dessa área central, criando uma "parede de massa" protetora adicional.
Aproveitamento de Polímeros Ricos em Hidrogênio:** Os elementos de proteção do interior da nave utilizam materiais plásticos e polímeros avançados. Elementos leves como o hidrogênio absorvem e desaceleram prótons de forma mais eficiente do que metais pesados como o chumbo — este último, quando atingido por raios cósmicos de altíssima energia, pode gerar radiação secundária (*Bremsstrahlung*), que é ainda mais nociva.
2. Equipamentos Individuais: O Colete AstroRad
Testado com sucesso na missão não tripulada Artemis através da manequim "Zohar", o colete AstroRad foi desenvolvido em parceria com a empresa israelense StemRad.
Proteção Seletiva de Órgãos Vitais: Em vez de cobrir todo o corpo de forma pesada e rígida, o colete prioriza áreas especialmente sensíveis à radiação e ao desenvolvimento de cânceres, como a medula óssea, pulmões, estômago, tecido mamário e órgãos reprodutores.
Mobilidade: O traje é feito de materiais poliméricos flexíveis, permitindo que os astronautas realizem suas tarefas diárias na Orion ou no módulo lunar durante períodos de atividade solar elevada.
3. Monitoramento e Previsão em Tempo Real
A detecção antecipada da radiação é a primeira linha de defesa antes que a dose atinja níveis perigosos:
Sensores HÍBRIDOS (HERA e M-42): A nave Orion conta com os detectores de radiação HERA (Hybrid Electronic Radiation Assessor), capazes de medir em tempo real o tipo e a intensidade das partículas que atravessam a estrutura metálica.
Modelagem Espacial com IA: A NASA trabalha com observatórios solares na Terra e no espaço profundo para prever tempestades solares com horas de antecedência, dando tempo suficiente para a tripulação entrar no refúgio blindado da nave antes do pico da erupção.
4. O Desafio em Solo Lunar e na Estação Gateway
Na superfície lunar e na futura estação orbital Lunar Gateway, as estratégias ganham novas camadas:
| Local | Estratégia de Proteção |
| :--- | :--- |
| Gateway | Órbita de Halo Quase-Retilínea (NRHO), minimizando o tempo de passagem por zonas de maior densidade do vento solar e permitindo posicionamento tático da estação. |
| Superfície Lunar | Uso do regolito lunar (a poeira e rocha da superfície). Habitações permanentes planejadas para a base Artemis usarão camadas espessas de solo lunar como isolante de radiação e micrometeoritos. |
O Salto para Marte
Enquanto uma viagem para a Lua dura dias, uma missão a Marte levará entre 2 e 3 anos no total. Para este cenário, a NASA estuda tecnologias de **blindagem magnética ativa — que usaria campos eletromagnéticos gerados pela própria nave para desviar partículas carregadas (mimetizando uma mini-magnetosfera terrestre) — além de pesquisas em suplementação farmacológica e radioprotetores para ajudar na reparação do DNA humano exposto a doses acumuladas de radiação.
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